Crianças

Mito ou Verdade: Os bebés podem ter cáries?

A resposta é sim! Infelizmente, todos podemos ter lesões de cáries, desde os mais pequerruchos aos mais graúdos.

Vamos lá ver: As lesões de cáries formam-se quando existem bactérias cariogénicas (bactérias formadoras de cárie) na boca (e 99% da população mundial tem essas bactérias na boca! ah pois é! Esta vocês não estavam à espera!).

O que é que essas bactérias fazem de especial?

As bactérias cariogénicas utilizam os restos de alimentos presentes na cavidade oral (dentes, língua, bochechas, gengiva, etc.) para produzir ácidos. As bactérias cariogénicas “colam-se” aos dentes e os ácidos destroem os minerais dos dentes criando pequenas cavidades em profundidade. Nestas pequenas cavidades vão-se impactando cada vez mais restos de comida e mais bactérias…

Se todos temos bactérias na boca, como podemos evitar as lesões de cáries?

A única solução é: lavando os dentinhos, as gengivas e língua. Desde que nasce o primeiro dente é fundamental criar uma rotina de higiene oral.

Agora, como é que isso pode acontecer no bebé?

Todos os bebés tem uma alimentação muito simples: leite. O leite (materno ou em fórmula) contém açúcares. E são estes açúcares que são utilizados pelas bactérias para produzir ácidos. Quando os dentinhos começam a nascer e se não usarmos uma gaze ou uma dedeira para lavá-los, vamos ter acumulação de restos de leite e de bactérias nos novos dentes. E, mais tarde ou mais cedo teremos lesões de cárie. 

Como posso evitar o aparecimento de cáries no meu bebé?

Fácil! Vamos por passos:

1 – Habitue o seu bebé à higiene oral, tal como realiza a limpeza dos ouvidos, o corte das unhas, etc. A rotina da higiene oral é um hábito. É fundamental limpar a boca do bebé, pelo menos, desde que nasce o primeiro dente. Consulte o artigo “Higiene Oral em Bebés e Crianças” para saber mais sobre o tema.

2 – Quando introduzir novos alimentos como frutas e papas, não adicione açúcar. As papas já têm açúcar suficiente para o seu bebé e as frutas têm os seus açúcares naturais. Não adicione açúcar nos chás ou outros líquidos que forneça à criança para além do leite que a criança já toma. Não é necessário adicionar açúcar à alimentação da criança.

3 – Siga uma dieta adequada para o seu bebé. Quando iniciar a introdução de novos alimentos, evite dar ao seu bebé alimentos muito processados e ricos em açúcares como: bolos, chocolate, rebuçados, bolachas “açúcaradas” e outro tipo de alimentos com elevado teor em açúcar.. Durante o crescimento as crianças necessitam de uma dieta equilibrada rica em vitaminas e proteínas. Consulte o seu pediatra, que o poderá guiar na dieta do seu filhote.

4 – Não deixe o seu bebé/criança dormir com biberão de leite ou sumo. Depois da última refeição do dia, deve limpar as gengivas/dentinhos e ir dormir.

5 – Não molhe, nunca, a chupeta em mel, em papa, açúcar. Nem para a criança adormecer mais facilmente. Basta fazer uma vez para que a criança crie um hábito não saudável.

6 – Aproveite para fazer a primeira visita ao médico dentista quando o seu bebé tiver o primeiro dentinho. Caso seja possível, é recomendado até visitar o dentista enquanto está grávida. O seu médico dentista poderá, nessa consulta, explicar tudo detalhadamente sobre a saúde oral da mamã e do bebé. E terá assim possibilidade de resolver todas as suas dúvidas e preparar-se mais calmamente.

7 – Caso dê leite de fórmula ao seu bebé: leia bem os rótulos e informe-se com o seu pediatra qual o melhor leite em pó. Porquê? Porque existem leites em fórmula com elevadas concentrações de açúcar. O que não é benéfico para o seu bebé.

Para saber mais informações sobre o aleitamento materno leia o documento “Aleitamento Materno: promover saúde” da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.

Para obter mais informações sobre a alimentação infantil leia o documento “Alimentação nos primeiros 1000 dias” da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Estética

Branqueamento dentário: o que é e como funciona

Perguntaram-me várias vezes sobre o branqueamento antes de escrever este artigo… finalmente decidi meter mãos à obra! O branqueamento dentário é um tema famoso. Porquê? Porque todos os famosos falam de branqueamento, de pastas de carvão, de pastas branqueantes, de branqueamento com luz, em fim… Mas será que tudo o que vemos por aí é verdade? Vamos ver!

O que é o branqueamento dentário?

Os dentes têm, normalmente, uma cor esbranquiçada, e dependendo de cada pessoa, podem ser mais amarelados, acinzentados e até mesmo acastanhados. Para além disso, os dentes podem apresentar manchas. As manchas podem ser de diferentes cores e ter diversas causas, como: traumatismos, fluorose, necrose pulpar, tabaco, alimentos, etc. Estas manchas, por terem causas tão variadas, necessitam ser avaliadas pelo ser médico dentista antes do branqueamento ser iniciado. 

Porquê que o branqueamento é cada vez mais comum?

Os dentes têm um papel relevante no nosso dia a dia já que participam na fala, na mastigação e estão associados a aspetos estéticos e de autoestima. Todos sabemos que o nosso sorriso desempenha um papel importante na nossa imagem e na forma como nos relacionamos com os outros.

Na nossa sociedade, a aparência é extremamente importante. Por este motivo vivemos sempre à procura de novos tratamentos, principalmente estéticos. A procura de um sorriso bonito leva a que o branqueamento dentário se tenha tornado o método de eleição para a remoção da pigmentação dentária. E é por isso que é extremamente conhecido e utilizado.

Mas, como funciona o branqueamento dentário?

Para o branqueamento é utilizado um gel branqueador. O gel é aplicado na superfície dos dentes que queremos branquear. Quando colocamos o gel branqueante sobre os dentes, os pigmentos responsáveis pela alteração da cor presentes nos dentes reagem com os agentes branqueantes do gel e são removidos para o exterior do dente por difusão. 

Existem diferentes géis utilizados para o branqueamento. Estes dependem da concentração do agente branqueante. Maior concentração, mais forte é o gel e mais rápido branqueia. Contudo é necessário ter precaução já que se os tratamentos branqueantes não forem feitos com cuidado, podem resultar em lesões, tanto na gengiva e nos lábios como nos próprios dentes. Por tanto, não é por termos um gel forte que o branqueamento será um sucesso. A escolha do gel é feita pelo médico dentista que avalia diferentes aspetos: cor original dos dentes, manchas que os dentes possam ter, doenças que o paciente possa ter, sensibilidade, se o paciente é fumador, etc. 

Antes do branqueamento, o que é necessário fazer?

Em primeiro lugar, é realizada uma limpeza (destartarização), já que antes de branquearmos os dentes temos de retirar todos os detritos que possam ter. O seu médico dentista irá também avaliar se não existe nenhuma lesão de cárie (se existir, terão de ser tratadas primeiro já que não é possível fazer branqueamento com lesões de cárie). 

Em segundo lugar, vamos avaliar a cor dos seus dentes (cor original) e a cor que pretende chegar com o tratamento. Porquê? Porque quanto maior a diferença, mais sessões serão necessárias (maior a duração). 

O branqueamento é possível fazê-lo no consultório ou em casa, dependendo dos objetivos do paciente.

Há alimentos que mancham os dentes?

Sim, como o chá, o café, o vinho tinto, beterraba, caril, refrigerantes, e frutos cítricos como o limão, laranja, ananás, etc.

Como é possível evitar isto? Beber água depois de comer estes alimentos de modo a que eles não se mantenham muito tempo na boca. E, se possível, lavar os dentes depois das refeições.

Há efeitos adversos do branqueamento dentário?

Sim! Cada pessoa tem uma reação diferente ao agente branqueante e o tratamento deve ser feito de acordo com as indicações do médico dentista: a duração de aplicação do gel correto, a superfície do dente a aplicar, etc. Às vezes, os pacientes querem obter resultados o mais rápido possível e não cumprem as recomendações. Infelizmente, quando não se seguem as recomendações podem surgir assim efeitos secundários, como por exemplo, sensibilidade dentária, irritação oral, queimaduras, úlceras gengivais, etc.

As pastas branqueantes funcionam?

Sim e não. Ou seja, depende da pasta de dentes que estamos a falar. Existem muitas pastas de dentes no mercado que têm indicação de ser branqueante. Nem todas são recomendadas. Porquê? Porque essas pastas são feitas para funcionar em “todos” os dentes/pacientes. O que é que isto implica? Que há dentes mais ou menos sensíveis e por tanto estas pastas podem ser demasiado agressivas para os dentes sensíveis. Para além do mais, algumas pastas branqueantes apresentam uma textura granulada que a torna ainda mais agressiva à superfície do dente. O que quero dizer com isto? Que antes de utilizar uma pasta branqueante consulte o seu médico dentista já que será a melhor pessoa para dar uma recomendação.

As pastas de carvão ativado funcionam?

As pastas dentífricas de carvão ativado são aquelas famosas pastas de dentes de cor preta. Essas pastas são conhecidas por terem alguma textura rugosa que torna a pasta abrasiva e, deste modo, mais agressiva para a superfície do dente. Estudos científicos publicados no último ano (2019) indicam que: “Os dentífricos à base de carvão, na ausência de evidências científicas comprovadas, podem aumentar a rugosidade superficial das estruturas de esmalte e (…) provocar o manchamento em restaurações, principalmente em suas bordas.” e que “a utilização destas pastas no dia-a-dia não é aconselhada a longo prazo (…) os benefícios estéticos que estas pastas podem oferecer não se devem sobrepor aos efeitos nefastos que podem provocar no esmalte dentário e que pode levar a um aumento do risco de desenvolvimento de lesões de cárie ou hipersensibilidade dentinária.” De modo que, não são aconselhadas pastas dentífricas de carvão ativado.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Dicas para Adultos

Os adultos podem ter medo ao Dentista?

Sim. O medo é irracional, ou seja, é uma resposta involuntária. Isto quer dizer que quando uma pessoa tem medo, não sabe como o controlar.

O medo ao dentista pode surgir de experiências prévias, principalmente de experiências que os adultos tenham tido quando eram ainda crianças. Este medo é mais comum do que se possa crer e é mais fácil de resolver do que se possa pensar.

O medo ao dentista também é algo que está muito incutido na nossa sociedade. E não é algo recente. Já os meus avós fugiam e continuam a fugir do temido médico dentista. A História luta contra nós. Até as artes lutam contra nós. Existem dezenas de filmes (e séries) onde participam personagens dentistas. E…a grande maioria (aproximadamente 90%) são filmes e séries de terror. Como comentei anteriormente, isto não nos ajuda.

Em primeiro lugar um paciente adulto com medo ao dentista tem de ter duas coisas em mente:

  1. Não é possível viver uma vida sem nunca ir ao dentista, de modo que, adiar marcar consulta por medo não vai ser uma solução.

  2. Este problema não se irá resolver sozinho. Nenhum problema se resolve com magia, erra ótimo que assim fosse, mas a verdade é que os problemas não desaparecem se os adiarmos.

Quando um paciente com medo ao dentista entra no consultório, o médico dentista já o sabe. Como? O medo costuma ser bem visível. Os pacientes com medo ao dentista têm, normalmente, o corpo tenso, as mãos e testa suadas, olhos inquietos observando tudo o que acontece em seu redor, podem estar assustadiços, etc. O nosso corpo transmite muita informação, mesmo quando não nos damos conta. Há até histórias de pacientes que se embebedam antes da consulta para que lhes seja mais fácil. Contudo, não estamos autorizados a atender pacientes embriagados. Obviamente. Contudo, isto demonstra o que o medo pode fazer.

Então, isto é um tema sério?

Sim. E ter medo ao médico dentista tem consequências importantes na vida destes pacientes: Os pacientes com este medo geralmente fazem de tudo para evitar ir à consulta. Muitas vezes chegam a marcar consulta, mas nunca comparecem. Isto é grave. Porquê? Porque impede que estas pessoas cuidem da sua saúde oral; muitas vezes têm dor ou algum problema de saúde e não o conseguem tratar devido ao medo. Ou seja, o medo chega a ser limitante; a limitar as nossas vidas.

Então, como se pode resolver?

  • Em primeiro lugar, é fundamental descobrir o que lhe gera medo. Receio a sentir dor durante a consulta? Um trauma de infância? Pavor ao barulho do motor?

  • Em segundo lugar, fale deste medo com alguém que lhe transmita confiança. A sua mãe, pai, filha, companheiro, amigo, psicólogo, etc. E explique a sua necessidade de ir ao médico dentista, nem que seja só para fazer um check-up e deixar de adiar essa consulta que já há tantos anos que adia.

  • Em terceiro lugar, procure um dentista com quem você se identifica. É fundamental que o paciente se senta à vontade com o seu médico dentista, afinal é quem vai c
    uidar da sua saúde oral. Marque uma consulta e diga, no ato da marcação (seja por telefone ou presencial), que na primeira consulta não pretende fazer nenhum tratamento, que apenas pretende fazer um check-up. Mencione o seu receio à auxiliar com quem faz a marcação. Esta irá informar o seu dentista e, deste modo, tanto a auxiliar como o meu médico dentista estarão relaxados e preparados para o receber no dia da sua consulta.

  • No dia da consulta, se preferir leve um amigo ou familiar consigo. Isto permite que você vá mais relaxado para a clínica. Utilize a primeira consulta para conversar. Acredite que será o melhor para si. Aproveite esta consulta para:

    • Indicar os seus medos: Receio a sentir dor durante a consulta? Um trauma de infância? Pavor ao barulho do motor?

    • Realizar a história clínica completa: indique se já fez cirurgias anteriormente, se toma medicação, etc. Indique tudo o que ache interessante.

    • Indicar o objetivo de querer ir ao dentista: O médico dentista tem de perceber porquê que você precisa dele. Há algum dente a magoar? Sente-se descontente com a estética do seu sorriso e gostaria de modificar? Faltam alguns dentes e gostaria de os substituir? Porquê que é importante o seu médico dentista saber o que você quer? Porque assim poderá ajudá-lo da melhor maneira. Poderá organizar um plano de tratamento de acordo com as suas necessidades. Por exemplo, imagine um paciente que tem medo ao dentista e que andou a evitar marcar uma consulta durante mais de 30 anos (infelizmente, isto acontece). Imaginemos que este paciente, infelizmente, tem vários tratamentos para fazer porque 30 anos foi muito tempo sem cuidar dos seus dentes. O médico dentista irá realizar um plano de tratamento adequado a este paciente: iniciando por consultas curtas e com tratamentos rápidos no início até que o paciente se vá habituando pouco a pouco.

  • Aproveite para tirar todas as suas dúvidas. Peça para que o seu dentista explique sobre todos os tratamentos, tempo de duração e procedimentos.

  • No dia da segunda consulta (consulta em que vai iniciar um tratamento): combine com o seu médico dentista alguns sinais para quando precisar de uma pausa: por exemplo, levantar a mão esquerda. Pratique um exercício de respiração para acalmar os seus nervos. Feche os olhos e relaxe. Em muitos consultórios existe a possibilidade de colocar música de ambiente, solicite ao seu médico dentista a colocação de uma música de fundo que lhe possa ajudar a relaxar.

  • Ao sair de cada consulta comemore a sua superação ao medo. Como? Realizando algo que você gosta em modo de “prémio”: vá almoçar fora com um amigo, compre um gelado ou algo que lhe faça feliz. Como é que isto pode ajudar? Fará com que, inconscientemente, você associe a consulta do dentista a algo que você gosta.

Respire fundo e vamos tratar desse receio. Não podemos deixar que o medo nos controle. Afinal de contas, a saúde é o mais importante que podemos ter. E cuidar dos nossos dentinhos é fundamental.

Beijinhos e até já!!

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Crianças

6 Conselhos para evitar o medo ao Dentista em Crianças

Não podemos ignorar o grande elefante presente à nossa frente! É verdade que está incutido na sociedade o medo ao médico dentista. Não é de agora. Já os meus avós fugiam e continuam a fugir do temido médico dentista. A verdade é que a História luta contra nós. E, para além do mais, existem dezenas de filmes de terror onde personagens principais ou secundárias são médicos dentistas. Pelo que, isso também não nos ajuda!

Contudo podemos mudar essa mentalidade?

E para mudar mentalidades temos de nos informar e aprender… Às vezes, o medo e o receio vêm do desconhecimento. Então, para começarmos, devemos começar por ensinar os mais pequeninos, as nossas futuras gerações. Por exemplo, sabia que a primeira consulta no médico dentista deve ser preparada desde casa? E como podemos fazer isso? Vamos ver 6 conselhos que tenho para dar:

  1. Evite dar uma conotação negativa ao tema “Dentista”. As crianças são extremamente perspicazes e inteligentes e sem dúvida são umas esponjas de informação. Pode parecer que não, mas estão atentas a tudo e vão prestar muita atenção a frases do estilo: “Vais levar uma pica”, “O dentista tirou os dentes todos da vóvó” ou “quando fui ao dentista doeu-me muito”. Qualquer coisa que ouçam relacionado negativamente com o médico ou médico dentista fará com que a criança tenha medo de algo que ainda nem aconteceu.

  2. Não utilize o dentista para controlar o comportamento da criança. Muitas vezes os papás e familiares fazem isto inconscientemente. É a típica frase do estilo “se te portares mal o polícia prende-te”. Pois, a mais ouvida relacionada com o médico dentista é “se te portares mal o dentista tira-te os dentes todos”. Não utilize este tipo de frases já que a criança vai associar os profissionais de saúde e de ajuda a algo mau ou assustador. O médico é amigo, o enfermeiro é amigo, o bombeiro é amigo, o polícia é amigo, assim como, o dentista é amigo.

  3. Evite que a primeira consulta da criança no médico dentista seja numa situação de urgência. Em algum momento da vida, a sua criança vai necessitar de um médico dentista. Seja porque caiu e partiu um dente, ou porque tem uma cárie que começou a doer ou porque tem “dentes espaçados” ou “dentes uns em cima dos outros”… Por este motivo, vamos prevenir levar a criança pela primeira vez ao dentista quando é uma urgência. É sempre preferível que a primeira consulta da criança seja só um check-up sem ser em situação de urgência. Isto permite que a criança possa conhecer a clínica e a equipa médica sem estar em stress. Pode ir à sua primeira consulta sem ter receios. ( Imagine que o seu filhote caiu no parque, suspeita que partiu um dente ou nota que tem a boca ensanguentada. Leva-o ao dentista pela primeira vez. Essa criança, assustada e magoada vai sempre associar o médico dentista àquele momento do acidente.)

  4. Evite usar palavras que possam assustar a criança: agulha, pica, picada, sangue, dor, dói-dói e outras palavras que possam amedrontar o seu filhote. Lembre-se, a sua criança é uma esponja de informação! E essas palavras, que para nós podem ser banais, para os mais pequenos são ainda palavras assustadoras.

  5. Encoraje o seu filhote a vir ao Dentista com frases do tipo “vamos ao dentista contar os teus dentinhos”, “quantos dentes tens, sabes?”, “vamos ver se gostamos, o que te parece?”. O facto de dizer estas frases no plural faz com que a criança saiba que não vai enfrentar uma situação desconhecida sozinha e sentir-se-á tranquila e irá à sua primeira consulta tranquilamente.

  6. Durante o tratamento, os papás podem ficar com a criança no consultório até por volta dos 3 anos de idade. Até essa idade são crianças mais dependentes dos papás e necessitam a sua presença para ficarem calmas. Contudo, à medida que for crescendo, o médico dentista pode solicitar que os papás esperem na sala de espera (Tenha em atenção que os papás nunca serão obrigados a abandonar a criança! Mas o médico dentista pode perguntar se desejam esperar na sala de espera ou dentro do consultório.). O facto da criança entrar sozinha no consultório permite que a criança aprenda a ser independente e enfrente os seus medos, nas primeiras consultas com os papás e aos poucos sem eles. Eles estão crescendo, e nós temos de deixar. Por muito difícil que possa ser, os nossos meninos e meninas não serão crianças toda a vida. E iremos sempre sentir orgulho por isso.

Já conhecia algum destes conselhos? Passou por alguma destas experiências com o seu filhote? Tem preferência entre ficar dentro ou fora do consultório? Partilhe a sua experiência e opinião!!

Beijinhos e até breve!!

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Crianças

Higiene oral em bebés e crianças

Lavar os dentinhos num bebé pode ser uma dor de cabeça!

Especialmente nas primeiras semanas, pelo que é importante começar o quanto antes para que o bebé se habitue. Este processo também nos permite inspecionar a boca do bebé e ir avaliando as suas gengivas e o nascimento dos dentinhos.

O ideal é começar a realizar a higiene oral antes dos dentinhos nascerem. Isto permite-nos aproveitar para limpar as suas gengivas de restos de leite e faz com que o bebé se habitue à rotina. 

E como limpamos as gengivas dos bebés?

Com uma gaze! Envolvemos o dedo mindinho com uma gaze e passamos gentilmente pelas gengivas do bebé. A gaze deve estar limpa (até mesmo estéril) e pode ser ligeiramente molhada em água previamente fervida (já fria). As gazes podem ser adquiridas numa farmácia ou até mesmo no consultório do seu Médico Dentista. 

Que vantagens há em realizar a higiene oral em bebés que ainda não têm dentes?

Permite-nos inspecionar a gengivas dos bebés desde os seus primeiros dias de vida, permite limpar restos de leite das gengivas e da língua e habituar o bebé a que limpemos a sua boquinha. Este último ponto é dos mais importantes. Porquê? Porque o bebé já estará habituado à rotina da higiene oral quando os seus dentinhos começarem a nascer.

Quando o bebé já tem dentes continuamos a usar uma gaze?  

Não é necessário usar uma gaze. Quando os primeiros dentes começarem a aparecer na boca podemos começar a usar uma dedeira. Isto facilitará a passagem mais tarde para a escova de dentes. Porquê? Porque o bebé habitua-se às cerdas da dedeira. Não se esqueça que aos 6 meses a boquinha do bebé ainda é muito pequena para se usar uma escova de dentes, mesmo que seja uma escova de dentes para criança.

Quando mudo da dedeira para a escova de dentes?

Quando a criança tiver cerca de 1 ano (mais coisa menos coisa (o seu dentista e o seu pediatra poderão ajudar neste momento). Porquê? Porque nesta idade as crianças começam a querer ser independentes, por muito pequeninos que sejam, já querem realizar certas “tarefas” sozinhos como, por exemplo, levar a colher à boca, tirar os sapatos ou outras pequenas tarefas que os deixamos acreditar que conseguem fazer sozinhos. É importante aproveitarmos este interesse da criança em tentar escovar os dentes sozinha, obviamente que devem ser os papás a escovar os dentinhos. Nesta idade a criança tem mais capacidades e habilidades para ser introduzida a escova de dentes na sua vida e para compreender que estamos a lavar os seus dentes. A criança já se segura sentada e compreende a ordem de “abre a boquinha” pelo que mais facilmente pode começar a ajudar-nos nesta tarefa.

Nesta idade as crianças começam a ser observadoras de tudo o que acontece à sua volta pelo que terão interesse em ver os papás a lavar os dentes e até mesmo a ver-se ao espelho enquanto um adulto lhes escova os dentes. Esta é uma técnica que ajuda muito, a “imitação”. A criança sente-se mais facilmente motivada em lavar os seus dentinhos quando tem a possibilidade de “imitar” um adulto ou mesmo um irmão mais velho.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Estética

Dentista pode aplicar Botox e Ácido Hialurónico?

Sim. Os Médicos Dentistas trabalham com toxina botulínica (vulgarmente conhecida como Botox) e ácido hialurónico.

O que é o Botox?

É, de forma muito sucinta, uma neurotoxina que quando aplicada em pequenas quantidades no músculo bloqueia um neurotransmissor responsável pela comunicação entre esse mesmo músculo e o cérebro. Consequentemente, quando o cérebro indica ao músculo para contrair, o músculo não poderá fazê-lo, ou pelo menos, não poderá fazê-lo com a potência que fazia anteriormente.

Porque é utilizado o Botox em Medicina Dentária?

Em Medicina Dentária utilizamos por dois simples motivos: uso terapêutico e uso estético. O que é que isto significa? Com uso terapêutico é principalmente utilizado em pacientes com bruxismo, ou seja, pacientes que apertam tanto os dentes que acordam frequentemente com os músculos da face doloridos. Esta característica associada a outras pode ser indicação da utilização da toxina botulínica para relaxar esses músculos da face.

Com uso estético pode ser utilizado para a redução de rugas de expressão e entre outras indicações.

O que é o Ácido Hialurónico?

O ácido hialurónico é um biopolímero que existe naturalmente em todo o nosso corpo incluindo na nossa pele e articulações. Este ácido tem diversas vantagens sendo que é muito procurado já que confere elasticidade e atua como um preenchedor, ou seja, preenche zonas como rugas ou pequenas falhas na pele. A duração deste tratamento em geral varia de 6 a 24 meses e quando é colocado não é detectado visualmente nem à palpação.

Porque é utilizado o Ácido Hialurónico em Medicina Dentária?

Em Medicina Dentária é utilizado principalmente para preenchimento de rugas ou sulcos na pele ao ser aplicado em pequenas quantidades.

Como é feita a aplicação do botox ou do Ácido Hialurónico?

Inicialmente o local do tratamento é desinfetado com álcool ou clorexidina pelo que deve evitar a aplicação de cremes ou maquilhagem no dia do tratamento e nos dois a três dias seguintes. Pode ser aplicada anestesia tópica em creme ou em gel para que a pele fique ligeiramente adormecida. Depois o produto é aplicado nas zonas necessárias através de mínimas injeções. Não é limitante de capacidades pelo que os pacientes podem realizar as suas atividades diárias normalmente antes e após a realização do procedimento.

Dependendo da área a tratar o procedimento pode durar, em média, 30 minutos.

Gostaria de saber mais sobre estes tratamentos? Deixe o seu comentário e vamos falar mais sobre o tema!

Beijinhos e até já!!

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Crianças

Dentes de leite: Quando nascem e Como aliviar os sintomas

Vamos falar um pouco sobre os dentes de leite…

Todos temos duas dentições: a dentição de leite e a dentição permanente

Os dentes de leite são a nossa primeira dentição que é composta por 20 dentes: 10 superiores e 10 inferiores. Tanto em cima como em baixo temos 4 incisivos (dentinhos da frente), 2 caninos e 4 molares. Os dentes de leite começam a aparecer em boca, em média, por volta dos 6 meses e terminam a sua formação por volta dos 3 anos. Mas há algo a ter em atenção

As crianças não são todas iguais e por esse motivo, em algumas os dentinhos começam a nascer mais cedo e outras mais tarde: algumas crianças os dentinhos começam a aparecer aos 4 meses enquanto que outras apenas começam por volta dos 12 meses. Temos de deixar cada criança ter o seu próprio ritmo estando, apenas, atentos a alterações particulares que o seu Médico Dentista pode explicar detalhadamente.

É importante saber que os primeiro dente pode nascem até aos 14 meses, sem que haja qualquer problema para o bebé.

Como vimos anteriormente, o “nascer dos dentes” é um processo lento e o importante é a sequência com que os dentes nascem. Devem seguir a sequência aqui apresentada: Inicialmente começam por nascer os incisivos centrais inferiores, incisivos centrais superiores, incisivos laterais superiores, incisivos laterais inferiores, primeiros molares, caninos e segundos molares.

O “nascer dos dentes” é um processo lento e que pode causar algumas dores de cabeça aos papás e, principalmente, algumas noites mal dormidas. Isto acontece porque quando um dentinho nasce tem de “perfurar” o osso e a gengiva provocando algum incómodo nos mais pequeninos.

O “nascer dos dentes” pode provocar alguns sintomas…

O que nos pode indicar que os dentinhos estão a nascer?

  • Vai notar que o bebé começa a salivar mais. A roupinha vai andar mais molhada na zona do peito e até mesmo das mangas porque o bebé vai tentar aliviar o incómodo mordendo os dedos.

  • Vai notar que o bebé vai querer sempre ter coisas na boca, morder os dedos, os brinquedos, sapatos e entre outras coisas que consiga agarrar e que ajudem a aliviar.

  • Vai notar que o bebé está mais irritadiço. Perde rapidamente a “paciência” e não está tão disposto para a brincadeira. Pode até andar uns tempos mais chorãozinho. 

  • Pode ter algum indício de febre (baixa!). Há alguns estudos que indicam que o nascimento dos dentinhos altera o sistema imunitário e por isso pode haver algum indício de que o bebé tenha algo de febre. Esta deve ser sempre baixa e caso tenha outras características associadas (como, vómitos, febre alta, pápulas no corpo, ou outros sintomas) deve consultar o seu pediatra.

  • Ao observar as gengivas do bebé pode notar que estas vão estar vermelhas e até algo inflamadas. Os primeiros dentes a nascer serão os dentes da frente, pelo que será nessa zona que verá a vermelhidão inicialmente. 

Normalmente, o nascimento dos dentinhos pode coincidir com alguma alteração na vida do bebé como alteração da alimentação (introdução de sopas, fim da alimentação exclusiva de leite) e entre outras fases que pode fazer com que os papás não se apercebam que a irritação do bebé se deve a uns dentinhos marotos que estão a nascer.

O que fazer então para ajudar o seu bebé?

  • Manter as mãos do bebé sempre limpas para que ele possa colocar as mãozinhas na boca para poder “coçar” as gengivas.

  • Existem no mercado mordedores que pode colocar no frigorífico porque ajuda a desinflamar as gengivas do bebé ao morder algo frio.

  • Massajar a região das gengivas.

  • Quando o bebé já tem mais de 1 ano e já come alguns alimentos com a mão pode facultar-lhe bocadinhos de fruta fria, banana, maçã, etc. (dependendo da idade do bebé estes alimentos podem ser cozidos ou não)

  • Pode consultar o seu Médico Dentista para solicitar géis naturais calmantes, cremes anestésicos e entre outras soluções que existem no mercado mas que só devem ser prescritas após avaliação.

  • Em último recurso, existe sempre a possibilidade de optar por medicação analgésica (alguns pequerruchos podem ficar mais sensíveis e necessitar de ajuda com o incómodo).

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Outros

Quem sou eu?

Quem é a Dra. Dentinhos?

A Dra. Dentinhos sou eu. Mas, eu quem? Eu, a Carolina Cardoso. Sou Médica Dentista, residente no Funchal. Nasci no Porto, em Paranhos, onde cedo aprendi a trocar os “V” pelos “B”. Mais tarde, por volta dos 15 anos, vim viver para a Pérola do Atlântico. Estudei Medicina Dentária na Universidade Rey Juan Carlos, em Madrid. E terminado o curso voltei para Portugal, mais especificamente para a Madeira.

Fiz algumas formações nomeadamente a minha post-graduação de Cirurgia Oral em Cuba e formação em endodontia em Lisboa (o tão temido, tratamento de canal).

Como surgiu a Dra. Dentinhos?

A Dra. Dentinhos surgiu de uma brincadeira com uma criança, minha paciente, quando ainda andava eu na faculdade. Lembro-me que era uma criança de 4 aninhos com muito medo ao dentista e com muitos dentinhos por tratar. Aí surgiu a Dra. Dentinhos, uma personagem para as crianças (e adultos) com receio do Médico Dentista. Quer dizer, o medo não é do Médico Dentista. Afinal, quem poderia ter medo da minha carinha laroca? O receio vem do desconhecido, o incompreensível…

E é por isso que estou aqui, para explicar, fazer compreender e desmistificar…

Venham comigo..!

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