Ortodontia

Aparelhos Ortodônticos em Quarentena

Desde há precisamente um mês que as clínicas dentárias se encontram encerradas, exceto para atendimento de situações de urgência. Dia 16 de março de 2020 foi declarado pelo Governo através do despacho nº 3903-E/2020 “a suspensão de toda e qualquer atividade de medicina dentária, de estomatologia e de odontologia, com exceção das situações comprovadamente urgentes e inadiáveis.” Passou um mês, as consultas não urgentes foram adiadas por prazos indeterminados e tratamentos foram suspensos. Alguns desses tratamentos suspensos são os tratamentos de ortodontia: os tão conhecidos aparelhos ortodônticos. 

Mas, afinal o que se passa atualmente com os pacientes com aparelhos de ortodontia?

Os tratamentos de ortodontia são tratamentos de longo prazo que existem consultas mensais de forma a controlar e a guiar o tratamento para restabelecer uma oclusão ótima (uma mordida correta). Nesta altura de quarentena em que as clínicas estão fechadas exceto para consultas de urgência, será que as consultas de ortodontia são consideradas consultas de urgência?

Bem, não, não são. Existem neste momento em Portugal milhares de pacientes com aparelhos de ortodontia que têm o seu tratamento em pausa por tempo indeterminado.

Como funciona o tratamento de ortodontia?

Cada pessoa é única, de modo que cada mordida é diferente. O objetivo principal dos tratamentos de ortodontia é colocar o paciente com uma mordida correta e consequentemente mais estética. Existem inúmeros aparelhos de ortodontia assim como inúmeras técnicas e cada ortodontista trabalha com alguns desses aparelhos e com algumas dessas técnicas para corrigir a mordida dos seus pacientes. Há aparelhos ortodônticos totalmente metálicos, cerâmicos, de Safiro, etc. O tratamento de ortodontia também tem etapas, e estas etapas vão depender de cada paciente. Em cada consulta mensal, o ortodontista realiza ajustes no aparelho para concluir essas etapas: muda os arcos, troca os brackets, altera os elásticos, muda os arames, etc. 

Os pacientes têm motivos para ficar preocupados com o seu tratamento nesta altura de quarentena?

Não. Os aparelhos são ativados/ajustados mensalmente em cada consulta. Ao não haver esta ativação durante os meses de quarentena implica que o próprio aparelho deixa de realizar forças, ou seja, deixa de “mover” os dentes. O aparelho de ortodontia vai-se manter na sua posição de “pausa” enquanto não for ativado pelo ortodontista na próxima consulta. Contudo, há uma exceção há regra: tratamentos de ortodontia que contenham elásticos. Em ortodontia os elásticos têm muitas funções: puxar os dentes para a frente, para baixo, para trás, para rodar um dente, para rodar vários dentes, enfim… Os elásticos são muito utilizados nos aparelhos ortodônticos. Contudo, nestes meses de quarentena, os elásticos continuam a exercer força. 

O que os pacientes devem fazer nesta quarentena?

  1. Em primeiro lugar, deve contactar o seu ortodontista através da sua clínica para verificar se continua ou não a utilizar os seus elásticos no aparelho. Há tratamentos em que os pacientes têm de utilizar elásticos durante a noite (e às vezes, durante todo o dia, exceto na hora das refeições) e o seu ortodontista pode recomendar que faça uma pausa.

  2. Deve melhorar a higiene oral. Porquê? Para evitar situações de urgência. É fundamental lavar os dentes entre 2 a 3 vezes ao dia, durante 2 minutos. Preferivelmente com uma pasta com 1450ppm de flúor (ver no rótulo da pasta de dentes). Não esquecer de lavar a língua, já que esta é sempre esquecida. Para juntar à higiene oral, não esquecer de usar o fio dentário, ou até mesmo o escovilhão. Se tiver algum elixir, aproveite estes dias para usá-lo uma vez por dia, de preferência à noite.

  3. Não guarde a sua escova de dentes junto com as escovas de dentes de outros familiares. Cada escova no seu copo ou no seu lugar. Isto permite evitar contaminações cruzadas.

  4. Evite alimentos e bebidas açucaradas já que estes contribuem para o aumento do risco de cáries dentária e de outras patologias como a diabetes.

  5. Não utilize os dentes para abrir latas, garrafas ou outros objetos já que pode provocar fratura dentária, descolamento de brackets ou quebra do aparelho ortodôntico. Evite também comer alimentos duros como frutos secos, torresmos ou outros similares.

O que fazer em caso de urgência?

Mesmo evitando ao máximo e tendo todos os cuidados descritos acima, podem acontecer alguns imprevistos: podem-se descolar brackets, o arame pode começar a arranhar, a contenção pode descolar, etc. 

Pode e deve recorrer ao dentista caso tenha danos no seu aparelho ortodôntico se esses danos possam apresentar “risco de deglutição, aspiração ou possam provocar lesões ou dor intensa” de acordo com a Direção Geral de Saúde.

Pode aceder a mais informações sobre como evitar situações de urgência no artigo “Urgência em pandemia“.

Fique em casa nesta quarentena. Cuide-se e cuide dos seus.

Beijinhos e até já!!

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Dicas para Adultos

Urgências Dentárias em Pandemia: O que (não) fazer

Perante a pandemia atual, os departamentos de saúde e de vigilância sanitária Portuguesa recomendam a ida ao dentista apenas em casos de urgência inadiável, ou seja, caso não seja possível solucionar o que quer tenha ocorrido sem ir ao dentista. Isto implica que as visitas ao dentista para procedimentos casuais devem ser adiadas, pelo menos por precaução. Afinal, todos temos uma vontade louca de sair de casa depois das últimas quase 4 semanas de quarentena, mas para quê arriscar? Ora lá está!

É importante salientar que os consultórios e clínicas seguem rigorosamente as medidas de biossegurança, de modo a limitar os riscos de infeção para a população e os profissionais de saúde.

Mas afinal, o que são tratamentos de urgência em Medicina Dentária?

Durante a pandemia, os tratamentos estéticos, procedimentos ortodônticos que não envolvam traumas, restauração de dentes assintomáticos, bem como cirurgias e outros tratamentos não urgentes, devem ser suspensos e só retomados após recomendação do profissional e do governo. Lembre-se que atualmente estamos em “Estado de Emergência”. 

As situações de urgência em Medicina Dentária são aquelas que, embora não ofereçam risco iminente à vida, devem ser resolvidos prontamente: hemorragias não controlados, traumatismos, abcessos dentários, dor dentária aguda, fratura dentária, entre outras situações.

Devido a isto, a maior parte das clínicas dentárias em Portugal, apesar de terem as portas fechadas encontram-se à disposição dos pacientes através de um contacto telefónico ou das redes sociais. Caso algum paciente se encontre em situação de urgência pode (e deve!) contactar o seu dentista ou outro (caso o seu se encontre realmente fechado ou incontactável) e solicitar uma consulta de urgência. Tendo em conta a situação que nos encontramos atualmente deve informar, ao solicitar a consulta de urgência, se nos últimos 14 dias apresentou algum sintoma como febre, tosse, dor de garganta e falta de ar, se esteve fora do país ou se contactou com algum paciente infetado. Após o contato, o médico dentista saberá como conduzir o caso e orientá-lo da melhor forma.

E estando em quarentena, como prevenir uma urgência?

Ora bem, atualmente estamos todos em casa de quarentena (ou devíamos!) exceto os trabalhadores essenciais, como por exemplo, todos os que estão relacionados com supermercados e venda ou transporte de alimentos, venda ou transporte de medicamentos, profissionais de saúde, de segurança, entre muitos outros. 

1. Pelo que neste momento de quarentena ao estarmos mais tempo em casa, também estamos mais tempo a comer… esta época é de algumas extravagâncias alimentares, como ingestão de refrigerantes e gulodices, nomeadamente nos intervalos das refeições o que aumenta o risco de agressão ao esmalte dentário e gengivas. É importante fazer decisões certas no que toca à alimentação: é preferível optar por frutas na hora do lanche em vez de alimentos cheios de açúcar. Evite petiscar frequentemente e consecutivamente, principalmente durante a noite. Evite também aqueles petiscos “perigosos” os frutos secos, torresmos ou outros alimentos duros que são conhecidos por “partirem dentes”… Para quê correr riscos?

2. Certamente as vossas horas de descanso e rotina foram alteradas drasticamente! As horas de acordar e dormir já não são as mesmas e certamente a hora do almoço e jantar também sofreram alterações. A falta de uma rotina afeta-nos a todos. É extremamente importante manter uma correta higiene oral. Mesmo “não sabendo as horas nem às quantas andamos” é fundamental lavar os dentes entre 2 a 3 vezes ao dia. Preferivelmente com uma pasta com 1450ppm de flúor (ver no rótulo da pasta de dentes). Não esquecer de lavar a língua, já que esta é sempre esquecida. Para juntar à higiene oral, não esquecer de usar o fio dentário, ou até mesmo o escovilhão. Se tiver algum elixir, aproveite estes dias para usá-lo pelo menos uma vez por dia preferivelmente à noite.

Evite urgências ao evitar situações de perigo

3. Para além das lesões de cáries, abcessos e outros “perigos” relacionados com a má alimentação e má higiene oral, existem também os traumatismos. É verdade que ninguém sofre um traumatismo querendo, eles acontecem quando menos esperamos. Mas, no que toca a crianças, costumam acontecer quando já antecipamos que vão acontecer… Ou é aquela brincadeira que achamos que não vai correr bem, ou aquela correria pela casa em meias, ou usando o sofá como trampolim… seja em férias ou em quarentena, há sempre alguma brincadeira que pode correr mal. E daí resultam traumatismos que obrigam uma ida ao dentista ou às urgências. As crianças, passado estas 4 semanas de quarentena estarão aborrecidas e saturadas de estar em casa, mantenha-as ocupadas e entretidas… Evite acidentes: evite traumatismos.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Crianças

6 Conselhos para evitar o medo ao Dentista em Crianças

Não podemos ignorar o grande elefante presente à nossa frente! É verdade que está incutido na sociedade o medo ao médico dentista. Não é de agora. Já os meus avós fugiam e continuam a fugir do temido médico dentista. A verdade é que a História luta contra nós. E, para além do mais, existem dezenas de filmes de terror onde personagens principais ou secundárias são médicos dentistas. Pelo que, isso também não nos ajuda!

Contudo podemos mudar essa mentalidade?

E para mudar mentalidades temos de nos informar e aprender… Às vezes, o medo e o receio vêm do desconhecimento. Então, para começarmos, devemos começar por ensinar os mais pequeninos, as nossas futuras gerações. Por exemplo, sabia que a primeira consulta no médico dentista deve ser preparada desde casa? E como podemos fazer isso? Vamos ver 6 conselhos que tenho para dar:

  1. Evite dar uma conotação negativa ao tema “Dentista”. As crianças são extremamente perspicazes e inteligentes e sem dúvida são umas esponjas de informação. Pode parecer que não, mas estão atentas a tudo e vão prestar muita atenção a frases do estilo: “Vais levar uma pica”, “O dentista tirou os dentes todos da vóvó” ou “quando fui ao dentista doeu-me muito”. Qualquer coisa que ouçam relacionado negativamente com o médico ou médico dentista fará com que a criança tenha medo de algo que ainda nem aconteceu.

  2. Não utilize o dentista para controlar o comportamento da criança. Muitas vezes os papás e familiares fazem isto inconscientemente. É a típica frase do estilo “se te portares mal o polícia prende-te”. Pois, a mais ouvida relacionada com o médico dentista é “se te portares mal o dentista tira-te os dentes todos”. Não utilize este tipo de frases já que a criança vai associar os profissionais de saúde e de ajuda a algo mau ou assustador. O médico é amigo, o enfermeiro é amigo, o bombeiro é amigo, o polícia é amigo, assim como, o dentista é amigo.

  3. Evite que a primeira consulta da criança no médico dentista seja numa situação de urgência. Em algum momento da vida, a sua criança vai necessitar de um médico dentista. Seja porque caiu e partiu um dente, ou porque tem uma cárie que começou a doer ou porque tem “dentes espaçados” ou “dentes uns em cima dos outros”… Por este motivo, vamos prevenir levar a criança pela primeira vez ao dentista quando é uma urgência. É sempre preferível que a primeira consulta da criança seja só um check-up sem ser em situação de urgência. Isto permite que a criança possa conhecer a clínica e a equipa médica sem estar em stress. Pode ir à sua primeira consulta sem ter receios. ( Imagine que o seu filhote caiu no parque, suspeita que partiu um dente ou nota que tem a boca ensanguentada. Leva-o ao dentista pela primeira vez. Essa criança, assustada e magoada vai sempre associar o médico dentista àquele momento do acidente.)

  4. Evite usar palavras que possam assustar a criança: agulha, pica, picada, sangue, dor, dói-dói e outras palavras que possam amedrontar o seu filhote. Lembre-se, a sua criança é uma esponja de informação! E essas palavras, que para nós podem ser banais, para os mais pequenos são ainda palavras assustadoras.

  5. Encoraje o seu filhote a vir ao Dentista com frases do tipo “vamos ao dentista contar os teus dentinhos”, “quantos dentes tens, sabes?”, “vamos ver se gostamos, o que te parece?”. O facto de dizer estas frases no plural faz com que a criança saiba que não vai enfrentar uma situação desconhecida sozinha e sentir-se-á tranquila e irá à sua primeira consulta tranquilamente.

  6. Durante o tratamento, os papás podem ficar com a criança no consultório até por volta dos 3 anos de idade. Até essa idade são crianças mais dependentes dos papás e necessitam a sua presença para ficarem calmas. Contudo, à medida que for crescendo, o médico dentista pode solicitar que os papás esperem na sala de espera (Tenha em atenção que os papás nunca serão obrigados a abandonar a criança! Mas o médico dentista pode perguntar se desejam esperar na sala de espera ou dentro do consultório.). O facto da criança entrar sozinha no consultório permite que a criança aprenda a ser independente e enfrente os seus medos, nas primeiras consultas com os papás e aos poucos sem eles. Eles estão crescendo, e nós temos de deixar. Por muito difícil que possa ser, os nossos meninos e meninas não serão crianças toda a vida. E iremos sempre sentir orgulho por isso.

Já conhecia algum destes conselhos? Passou por alguma destas experiências com o seu filhote? Tem preferência entre ficar dentro ou fora do consultório? Partilhe a sua experiência e opinião!!

Beijinhos e até breve!!

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