Bruxismo, Crianças

As crianças podem ranger os dentes?

A resposta é sim. As crianças também podem ranger os dentes. Mas não significa que seja totalmente mau sinal. Os dentes das crianças demoram algum tempo a nascer. Uma criança dos 3 aos 6 anos tem 20 dentes de leite na boca e obviamente esses 20 dentes não nascem todos ao mesmo tempo. Todos esses dentinhos vão aparecendo na boca entre 6 meses e os 3 anos (aproximadamente) e vão nascendo pouco a pouco.

Durante este período em que os dentes vão nascendo a criança não tem uma mordida estável, ou seja, os dentes superiores não estão estavelmente encaixados nos dentes inferiores. E, por esse motivo a criança pode ranger os dentes. Por volta dos 3 anos a criança já tem os 20 dentinhos na boca e a mordida estabiliza. Por isso é importante que estes dentinhos se mantenham saudáveis. Se a criança chuchar no dedo, utilizar chupeta ou biberão durante muito tempo ou se tiver cáries que provoquem a perda de dentes, a mordida deixará de estar estável e poderá originar consequências mais ou menos graves como alterações severas na mordida. Estas alterações podem incluir bruxismo, mordida aberta, mordida cruzada e entre outras que só podem ser corrigidas com aparelhos dentários.

Por este motivo é importante a prevenção. Temos de informar os papás e as mamãs para evitar problemas no futuro. Evitar chupetas e biberões a partir do momento em que a criança já tem todos os dentes de leite na boca (isto ocorre entre os 2 e os 3 anos).

Dos 3 aos 6 anos, normalmente, o ranger dos dentes diminui ligeiramente. Em algumas crianças deixa de ser notado enquanto que noutras ainda é perceptível mas de uma forma suave.

Contudo as crianças também podem ter bruxismo patológico. O que significa isso? Até agora falamos sobre o bruxismo normal que todas as crianças podem ter. Faz parte do seu crescimento e ocorre até que a mordida da criança se estabilize. Mas algumas crianças podem ter um tipo de bruxismo que não é saudável e este chama-se de bruxismo patológico. Ou seja, é um ranger dos dentes não saudável.

E o que podemos fazer nestes casos?

Sabemos que mais de 50% dos casos de bruxismo, a causa é a ansiedade. E muitas crianças têm períodos de ansiedade e que muitas vezes não nos damos conta como, por exemplo, quando nasce um irmão mais novo, quando mudam de escola, quando perdem um animal de estimação ou um membro da familia, quando mudam de casa, separação dos pais, etc. Nestes casos é importante reduzir a ansiedade da criança.

Como podemos conseguir isso?

  • Tentando relaxar antes de dormir, por exemplo:
    • Dar um banho/duche de água quente.
    • Colocar música calma momentos antes da hora de dormir.
    • Evitar filmes ou desenhos animados barulhentos ou estimulantes antes da hora de dormir.
    • Ler uma história ou um conto antes de dormir.
    • Conversar com a criança.

Em muitos dos casos conseguiremos ajudar a criança a reduzir os seus picos de ansiedade e poderemos desta forma reduzir os períodos de bruxismo.

Nos casos em que não se consegue diminuir a ansiedade, pode ser necessário consultar o médico dentista ou o pediatra para se avaliar mais detalhadamente

O bruxismo na infância é geralmente superado na adolescência. A maioria dos adolescentes para de ranger e apertar os dentes quando os de leite são substituídos pela dentição definitiva. Mas não ocorre em 100% das crianças.

O importante é saber que o ranger dos dentes tem sempre uma causa, enquanto essa causa não for resolvida, o ranger irá continuar.

Alguns adolescentes podem apresentar bruxismo e podem ranger os dentes. Uma das causas pode, novamente, ser a ansiedade: o receio de não ser aceite pelos colegas, o bullying, o receio de falhar nos exames ou avaliações escolares, etc. Nesta situação, o bruxismo pode ser evitado tentando conversar com as crianças ou adolescentes para perceber quais os seus medos e ansiedades, e ajudando-os a lidar com os seus problemas.

Caso estas dicas não possam ajudar, por favor, visite um médico dentista para que o possa auxiliar. A saúde oral é de extrema importância.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Fique em casa nesta quarentena. Cuide-se e cuide dos seus.

Beijinhos e até já!!

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Crianças

Escovas de dentes de criança (manuais e elétricas)

A partir dos 4 meses de idade, a maioria dos pais nota um aumento da produção de saliva no bebé. O bebé começa a aparecer com a roupa, o pescoço e as mangas das camisolas molhadas. É neste período que se começa também a formar a ideia de que os primeiros dentes vêm a caminho. Esta pode ser uma boa oportunidade para visitar o dentista e ter uma conversa sobre a saúde oral.

As características das escovas infantis que devem ser levadas em consideração, pois atualmente preconiza-se iniciar a escovagem dos dentes logo após o aparecimento do primeiro dente no bebé.

Para as crianças, desde o nascimento até aos 3 anos é recomendado uma escova extra-macia, com cabeça pequena e com cabo que permita um bom apoio para o adulto que irá fazer a escovarem da criança. Nesta idade as crianças não têm coordenação motora para realizar a higiene oral sozinhos. Leve a escovagem dos dentes como uma brincadeira durante o banho, a muda da fralda ou até mesmo um momento de descontração antes de ir dormir. Aproveite a escova de dentes como um mordedor. Aproveite para que a criança se sinta à vontade com a escova de dentes. Para crianças mais complicadas, com autismo, Síndrome de Down, etc. é possível utilizar as dedeiras para lavar os primeiros dentinhos. A dedeira facilita os pais.

A partir dos 3 anos, a criança gosta de realizar sua própria escovarem, nesse caso deve ser usada uma escova com cabeça pequena, cerdas macias e que tenha uma proteção no cabo, para evitar acidentes. Um adulto deve, entretanto, complementar a escovagem dos dentes de modo a garantir que a higiene oral fica bem feita. Entre os 3 e os 6 anos de idade as crianças tornam-se mais autónomas e gostam de imitar os pais. Esta é uma boa altura para fomentar o gosto pela escovagem dos dentes.

Por volta dos 6 anos, a criança já adquiriu um desenvolvimento motor suficiente para que possa realizar a escovagem por si mesma. Neste caso é importante que a escova tenha cabeça média, cerdas macias e arredondadas e um cabo robusto, para que a criança consiga segurar bem na escova. Nesta idade as crianças já sabem escrever e têm mais facilidade a segurar na escova.

As crianças podem utilizar tanto escovas manuais como escovas elétricas.

As escovas elétricas podem ser uma alternativa favorável para as crianças, uma vez que estas não têm destreza manual suficiente que as capacite para usar uma escova manual de forma eficaz. As escovas elétricas poderão assim facilitar a remoção de placa à criança e também aos pais, devido ao seu uso mais simples. É importante também salientar que estas poderão constituir um reforço positivo e incentivo à saúde oral, dado que as escovas elétricas são mais apelativas pelos seus sons e imagens de desenhos animados, propiciando um ambiente atrativo aos mais jovens.

As escovas de dentes são pessoais: cada pessoa tem a sua escova. As escovas devem ser guardada num local seco com a cabeça para cima.

Os dentes devem ser escovados 2 vezes por dia.

Fique em casa nesta quarentena. Cuide-se e cuide dos seus.

Beijinhos e até já!!

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Mito ou Verdade: Os bebés podem ter cáries?

A resposta é sim! Infelizmente, todos podemos ter lesões de cáries, desde os mais pequerruchos aos mais graúdos.

Vamos lá ver: As lesões de cáries formam-se quando existem bactérias cariogénicas (bactérias formadoras de cárie) na boca (e 99% da população mundial tem essas bactérias na boca! ah pois é! Esta vocês não estavam à espera!).

O que é que essas bactérias fazem de especial?

As bactérias cariogénicas utilizam os restos de alimentos presentes na cavidade oral (dentes, língua, bochechas, gengiva, etc.) para produzir ácidos. As bactérias cariogénicas “colam-se” aos dentes e os ácidos destroem os minerais dos dentes criando pequenas cavidades em profundidade. Nestas pequenas cavidades vão-se impactando cada vez mais restos de comida e mais bactérias…

Se todos temos bactérias na boca, como podemos evitar as lesões de cáries?

A única solução é: lavando os dentinhos, as gengivas e língua. Desde que nasce o primeiro dente é fundamental criar uma rotina de higiene oral.

Agora, como é que isso pode acontecer no bebé?

Todos os bebés tem uma alimentação muito simples: leite. O leite (materno ou em fórmula) contém açúcares. E são estes açúcares que são utilizados pelas bactérias para produzir ácidos. Quando os dentinhos começam a nascer e se não usarmos uma gaze ou uma dedeira para lavá-los, vamos ter acumulação de restos de leite e de bactérias nos novos dentes. E, mais tarde ou mais cedo teremos lesões de cárie. 

Como posso evitar o aparecimento de cáries no meu bebé?

Fácil! Vamos por passos:

1 – Habitue o seu bebé à higiene oral, tal como realiza a limpeza dos ouvidos, o corte das unhas, etc. A rotina da higiene oral é um hábito. É fundamental limpar a boca do bebé, pelo menos, desde que nasce o primeiro dente. Consulte o artigo “Higiene Oral em Bebés e Crianças” para saber mais sobre o tema.

2 – Quando introduzir novos alimentos como frutas e papas, não adicione açúcar. As papas já têm açúcar suficiente para o seu bebé e as frutas têm os seus açúcares naturais. Não adicione açúcar nos chás ou outros líquidos que forneça à criança para além do leite que a criança já toma. Não é necessário adicionar açúcar à alimentação da criança.

3 – Siga uma dieta adequada para o seu bebé. Quando iniciar a introdução de novos alimentos, evite dar ao seu bebé alimentos muito processados e ricos em açúcares como: bolos, chocolate, rebuçados, bolachas “açúcaradas” e outro tipo de alimentos com elevado teor em açúcar.. Durante o crescimento as crianças necessitam de uma dieta equilibrada rica em vitaminas e proteínas. Consulte o seu pediatra, que o poderá guiar na dieta do seu filhote.

4 – Não deixe o seu bebé/criança dormir com biberão de leite ou sumo. Depois da última refeição do dia, deve limpar as gengivas/dentinhos e ir dormir.

5 – Não molhe, nunca, a chupeta em mel, em papa, açúcar. Nem para a criança adormecer mais facilmente. Basta fazer uma vez para que a criança crie um hábito não saudável.

6 – Aproveite para fazer a primeira visita ao médico dentista quando o seu bebé tiver o primeiro dentinho. Caso seja possível, é recomendado até visitar o dentista enquanto está grávida. O seu médico dentista poderá, nessa consulta, explicar tudo detalhadamente sobre a saúde oral da mamã e do bebé. E terá assim possibilidade de resolver todas as suas dúvidas e preparar-se mais calmamente.

7 – Caso dê leite de fórmula ao seu bebé: leia bem os rótulos e informe-se com o seu pediatra qual o melhor leite em pó. Porquê? Porque existem leites em fórmula com elevadas concentrações de açúcar. O que não é benéfico para o seu bebé.

Para saber mais informações sobre o aleitamento materno leia o documento “Aleitamento Materno: promover saúde” da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.

Para obter mais informações sobre a alimentação infantil leia o documento “Alimentação nos primeiros 1000 dias” da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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Dentes de leite: Quando nascem e Como aliviar os sintomas

Vamos falar um pouco sobre os dentes de leite…

Todos temos duas dentições: a dentição de leite e a dentição permanente

Os dentes de leite são a nossa primeira dentição que é composta por 20 dentes: 10 superiores e 10 inferiores. Tanto em cima como em baixo temos 4 incisivos (dentinhos da frente), 2 caninos e 4 molares. Os dentes de leite começam a aparecer em boca, em média, por volta dos 6 meses e terminam a sua formação por volta dos 3 anos. Mas há algo a ter em atenção

As crianças não são todas iguais e por esse motivo, em algumas os dentinhos começam a nascer mais cedo e outras mais tarde: algumas crianças os dentinhos começam a aparecer aos 4 meses enquanto que outras apenas começam por volta dos 12 meses. Temos de deixar cada criança ter o seu próprio ritmo estando, apenas, atentos a alterações particulares que o seu Médico Dentista pode explicar detalhadamente.

É importante saber que os primeiro dente pode nascem até aos 14 meses, sem que haja qualquer problema para o bebé.

Como vimos anteriormente, o “nascer dos dentes” é um processo lento e o importante é a sequência com que os dentes nascem. Devem seguir a sequência aqui apresentada: Inicialmente começam por nascer os incisivos centrais inferiores, incisivos centrais superiores, incisivos laterais superiores, incisivos laterais inferiores, primeiros molares, caninos e segundos molares.

O “nascer dos dentes” é um processo lento e que pode causar algumas dores de cabeça aos papás e, principalmente, algumas noites mal dormidas. Isto acontece porque quando um dentinho nasce tem de “perfurar” o osso e a gengiva provocando algum incómodo nos mais pequeninos.

O “nascer dos dentes” pode provocar alguns sintomas…

O que nos pode indicar que os dentinhos estão a nascer?

  • Vai notar que o bebé começa a salivar mais. A roupinha vai andar mais molhada na zona do peito e até mesmo das mangas porque o bebé vai tentar aliviar o incómodo mordendo os dedos.

  • Vai notar que o bebé vai querer sempre ter coisas na boca, morder os dedos, os brinquedos, sapatos e entre outras coisas que consiga agarrar e que ajudem a aliviar.

  • Vai notar que o bebé está mais irritadiço. Perde rapidamente a “paciência” e não está tão disposto para a brincadeira. Pode até andar uns tempos mais chorãozinho. 

  • Pode ter algum indício de febre (baixa!). Há alguns estudos que indicam que o nascimento dos dentinhos altera o sistema imunitário e por isso pode haver algum indício de que o bebé tenha algo de febre. Esta deve ser sempre baixa e caso tenha outras características associadas (como, vómitos, febre alta, pápulas no corpo, ou outros sintomas) deve consultar o seu pediatra.

  • Ao observar as gengivas do bebé pode notar que estas vão estar vermelhas e até algo inflamadas. Os primeiros dentes a nascer serão os dentes da frente, pelo que será nessa zona que verá a vermelhidão inicialmente. 

Normalmente, o nascimento dos dentinhos pode coincidir com alguma alteração na vida do bebé como alteração da alimentação (introdução de sopas, fim da alimentação exclusiva de leite) e entre outras fases que pode fazer com que os papás não se apercebam que a irritação do bebé se deve a uns dentinhos marotos que estão a nascer.

O que fazer então para ajudar o seu bebé?

  • Manter as mãos do bebé sempre limpas para que ele possa colocar as mãozinhas na boca para poder “coçar” as gengivas.

  • Existem no mercado mordedores que pode colocar no frigorífico porque ajuda a desinflamar as gengivas do bebé ao morder algo frio.

  • Massajar a região das gengivas.

  • Quando o bebé já tem mais de 1 ano e já come alguns alimentos com a mão pode facultar-lhe bocadinhos de fruta fria, banana, maçã, etc. (dependendo da idade do bebé estes alimentos podem ser cozidos ou não)

  • Pode consultar o seu Médico Dentista para solicitar géis naturais calmantes, cremes anestésicos e entre outras soluções que existem no mercado mas que só devem ser prescritas após avaliação.

  • Em último recurso, existe sempre a possibilidade de optar por medicação analgésica (alguns pequerruchos podem ficar mais sensíveis e necessitar de ajuda com o incómodo).

Não se esqueça de visitar o seu dentista frequentemente, pois só o seu dentista é capaz de avaliar os seus dentes e as suas necessidades a nível de saúde oral.

Beijinhos e até já!!

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