Dicas para Adultos

Os adultos podem ter medo ao Dentista?

Sim. O medo é irracional, ou seja, é uma resposta involuntária. Isto quer dizer que quando uma pessoa tem medo, não sabe como o controlar.

O medo ao dentista pode surgir de experiências prévias, principalmente de experiências que os adultos tenham tido quando eram ainda crianças. Este medo é mais comum do que se possa crer e é mais fácil de resolver do que se possa pensar.

O medo ao dentista também é algo que está muito incutido na nossa sociedade. E não é algo recente. Já os meus avós fugiam e continuam a fugir do temido médico dentista. A História luta contra nós. Até as artes lutam contra nós. Existem dezenas de filmes (e séries) onde participam personagens dentistas. E…a grande maioria (aproximadamente 90%) são filmes e séries de terror. Como comentei anteriormente, isto não nos ajuda.

Em primeiro lugar um paciente adulto com medo ao dentista tem de ter duas coisas em mente:

  1. Não é possível viver uma vida sem nunca ir ao dentista, de modo que, adiar marcar consulta por medo não vai ser uma solução.

  2. Este problema não se irá resolver sozinho. Nenhum problema se resolve com magia, erra ótimo que assim fosse, mas a verdade é que os problemas não desaparecem se os adiarmos.

Quando um paciente com medo ao dentista entra no consultório, o médico dentista já o sabe. Como? O medo costuma ser bem visível. Os pacientes com medo ao dentista têm, normalmente, o corpo tenso, as mãos e testa suadas, olhos inquietos observando tudo o que acontece em seu redor, podem estar assustadiços, etc. O nosso corpo transmite muita informação, mesmo quando não nos damos conta. Há até histórias de pacientes que se embebedam antes da consulta para que lhes seja mais fácil. Contudo, não estamos autorizados a atender pacientes embriagados. Obviamente. Contudo, isto demonstra o que o medo pode fazer.

Então, isto é um tema sério?

Sim. E ter medo ao médico dentista tem consequências importantes na vida destes pacientes: Os pacientes com este medo geralmente fazem de tudo para evitar ir à consulta. Muitas vezes chegam a marcar consulta, mas nunca comparecem. Isto é grave. Porquê? Porque impede que estas pessoas cuidem da sua saúde oral; muitas vezes têm dor ou algum problema de saúde e não o conseguem tratar devido ao medo. Ou seja, o medo chega a ser limitante; a limitar as nossas vidas.

Então, como se pode resolver?

  • Em primeiro lugar, é fundamental descobrir o que lhe gera medo. Receio a sentir dor durante a consulta? Um trauma de infância? Pavor ao barulho do motor?

  • Em segundo lugar, fale deste medo com alguém que lhe transmita confiança. A sua mãe, pai, filha, companheiro, amigo, psicólogo, etc. E explique a sua necessidade de ir ao médico dentista, nem que seja só para fazer um check-up e deixar de adiar essa consulta que já há tantos anos que adia.

  • Em terceiro lugar, procure um dentista com quem você se identifica. É fundamental que o paciente se senta à vontade com o seu médico dentista, afinal é quem vai c
    uidar da sua saúde oral. Marque uma consulta e diga, no ato da marcação (seja por telefone ou presencial), que na primeira consulta não pretende fazer nenhum tratamento, que apenas pretende fazer um check-up. Mencione o seu receio à auxiliar com quem faz a marcação. Esta irá informar o seu dentista e, deste modo, tanto a auxiliar como o meu médico dentista estarão relaxados e preparados para o receber no dia da sua consulta.

  • No dia da consulta, se preferir leve um amigo ou familiar consigo. Isto permite que você vá mais relaxado para a clínica. Utilize a primeira consulta para conversar. Acredite que será o melhor para si. Aproveite esta consulta para:

    • Indicar os seus medos: Receio a sentir dor durante a consulta? Um trauma de infância? Pavor ao barulho do motor?

    • Realizar a história clínica completa: indique se já fez cirurgias anteriormente, se toma medicação, etc. Indique tudo o que ache interessante.

    • Indicar o objetivo de querer ir ao dentista: O médico dentista tem de perceber porquê que você precisa dele. Há algum dente a magoar? Sente-se descontente com a estética do seu sorriso e gostaria de modificar? Faltam alguns dentes e gostaria de os substituir? Porquê que é importante o seu médico dentista saber o que você quer? Porque assim poderá ajudá-lo da melhor maneira. Poderá organizar um plano de tratamento de acordo com as suas necessidades. Por exemplo, imagine um paciente que tem medo ao dentista e que andou a evitar marcar uma consulta durante mais de 30 anos (infelizmente, isto acontece). Imaginemos que este paciente, infelizmente, tem vários tratamentos para fazer porque 30 anos foi muito tempo sem cuidar dos seus dentes. O médico dentista irá realizar um plano de tratamento adequado a este paciente: iniciando por consultas curtas e com tratamentos rápidos no início até que o paciente se vá habituando pouco a pouco.

  • Aproveite para tirar todas as suas dúvidas. Peça para que o seu dentista explique sobre todos os tratamentos, tempo de duração e procedimentos.

  • No dia da segunda consulta (consulta em que vai iniciar um tratamento): combine com o seu médico dentista alguns sinais para quando precisar de uma pausa: por exemplo, levantar a mão esquerda. Pratique um exercício de respiração para acalmar os seus nervos. Feche os olhos e relaxe. Em muitos consultórios existe a possibilidade de colocar música de ambiente, solicite ao seu médico dentista a colocação de uma música de fundo que lhe possa ajudar a relaxar.

  • Ao sair de cada consulta comemore a sua superação ao medo. Como? Realizando algo que você gosta em modo de “prémio”: vá almoçar fora com um amigo, compre um gelado ou algo que lhe faça feliz. Como é que isto pode ajudar? Fará com que, inconscientemente, você associe a consulta do dentista a algo que você gosta.

Respire fundo e vamos tratar desse receio. Não podemos deixar que o medo nos controle. Afinal de contas, a saúde é o mais importante que podemos ter. E cuidar dos nossos dentinhos é fundamental.

Beijinhos e até já!!

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Crianças

6 Conselhos para evitar o medo ao Dentista em Crianças

Não podemos ignorar o grande elefante presente à nossa frente! É verdade que está incutido na sociedade o medo ao médico dentista. Não é de agora. Já os meus avós fugiam e continuam a fugir do temido médico dentista. A verdade é que a História luta contra nós. E, para além do mais, existem dezenas de filmes de terror onde personagens principais ou secundárias são médicos dentistas. Pelo que, isso também não nos ajuda!

Contudo podemos mudar essa mentalidade?

E para mudar mentalidades temos de nos informar e aprender… Às vezes, o medo e o receio vêm do desconhecimento. Então, para começarmos, devemos começar por ensinar os mais pequeninos, as nossas futuras gerações. Por exemplo, sabia que a primeira consulta no médico dentista deve ser preparada desde casa? E como podemos fazer isso? Vamos ver 6 conselhos que tenho para dar:

  1. Evite dar uma conotação negativa ao tema “Dentista”. As crianças são extremamente perspicazes e inteligentes e sem dúvida são umas esponjas de informação. Pode parecer que não, mas estão atentas a tudo e vão prestar muita atenção a frases do estilo: “Vais levar uma pica”, “O dentista tirou os dentes todos da vóvó” ou “quando fui ao dentista doeu-me muito”. Qualquer coisa que ouçam relacionado negativamente com o médico ou médico dentista fará com que a criança tenha medo de algo que ainda nem aconteceu.

  2. Não utilize o dentista para controlar o comportamento da criança. Muitas vezes os papás e familiares fazem isto inconscientemente. É a típica frase do estilo “se te portares mal o polícia prende-te”. Pois, a mais ouvida relacionada com o médico dentista é “se te portares mal o dentista tira-te os dentes todos”. Não utilize este tipo de frases já que a criança vai associar os profissionais de saúde e de ajuda a algo mau ou assustador. O médico é amigo, o enfermeiro é amigo, o bombeiro é amigo, o polícia é amigo, assim como, o dentista é amigo.

  3. Evite que a primeira consulta da criança no médico dentista seja numa situação de urgência. Em algum momento da vida, a sua criança vai necessitar de um médico dentista. Seja porque caiu e partiu um dente, ou porque tem uma cárie que começou a doer ou porque tem “dentes espaçados” ou “dentes uns em cima dos outros”… Por este motivo, vamos prevenir levar a criança pela primeira vez ao dentista quando é uma urgência. É sempre preferível que a primeira consulta da criança seja só um check-up sem ser em situação de urgência. Isto permite que a criança possa conhecer a clínica e a equipa médica sem estar em stress. Pode ir à sua primeira consulta sem ter receios. ( Imagine que o seu filhote caiu no parque, suspeita que partiu um dente ou nota que tem a boca ensanguentada. Leva-o ao dentista pela primeira vez. Essa criança, assustada e magoada vai sempre associar o médico dentista àquele momento do acidente.)

  4. Evite usar palavras que possam assustar a criança: agulha, pica, picada, sangue, dor, dói-dói e outras palavras que possam amedrontar o seu filhote. Lembre-se, a sua criança é uma esponja de informação! E essas palavras, que para nós podem ser banais, para os mais pequenos são ainda palavras assustadoras.

  5. Encoraje o seu filhote a vir ao Dentista com frases do tipo “vamos ao dentista contar os teus dentinhos”, “quantos dentes tens, sabes?”, “vamos ver se gostamos, o que te parece?”. O facto de dizer estas frases no plural faz com que a criança saiba que não vai enfrentar uma situação desconhecida sozinha e sentir-se-á tranquila e irá à sua primeira consulta tranquilamente.

  6. Durante o tratamento, os papás podem ficar com a criança no consultório até por volta dos 3 anos de idade. Até essa idade são crianças mais dependentes dos papás e necessitam a sua presença para ficarem calmas. Contudo, à medida que for crescendo, o médico dentista pode solicitar que os papás esperem na sala de espera (Tenha em atenção que os papás nunca serão obrigados a abandonar a criança! Mas o médico dentista pode perguntar se desejam esperar na sala de espera ou dentro do consultório.). O facto da criança entrar sozinha no consultório permite que a criança aprenda a ser independente e enfrente os seus medos, nas primeiras consultas com os papás e aos poucos sem eles. Eles estão crescendo, e nós temos de deixar. Por muito difícil que possa ser, os nossos meninos e meninas não serão crianças toda a vida. E iremos sempre sentir orgulho por isso.

Já conhecia algum destes conselhos? Passou por alguma destas experiências com o seu filhote? Tem preferência entre ficar dentro ou fora do consultório? Partilhe a sua experiência e opinião!!

Beijinhos e até breve!!

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